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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Visão de Gabriel


Boas novas para o desespero dos cristãos.

Encontrada na Transjordânia, uma tabuleta em pedra dará muito o que falar. Batizada de "A Visão de Gabriel" , esta tabuleta data do primeiro século antes de Cristo e refere-se a um texto apocalíptico ditado pelo Anjo Gabriel. Nessa "visão", Gabriel informa que um rei do mal terá sucesso em destruir muitos dentre o povo de Israel e matará o seu líder, o "Principe dos Príncipes". Depois de três dias, este líder será ressuscitado pelo anjo Gabriel.

Esta é a interpretação do Prof. Israel Knohl do Departamento de Estudos Bíblicos na Universidade Hebraica de Jerusalém. Apesar de muitos trechos estarem apagados (o texto foi escrito em tinta sobre pedra, muito incomum àquela época), o prof. Israel baseia-se, principalmente, na linha de número 80 da coluna da esquerda, transcrita abaixo:

"Em três dias, vi[?], Eu, Gabriel [?]"

Para o professor, o texto quer dizer: "Em três dias, volte à vida. Eu, Gabriel, ordeno".

Os cristãos irão achar que essa seria uma comprovação para a ressureição de Jesus. Acontece que esta tabuleta relata dois tipos de ressurreição, aliás, relata a ressurreição de dois messias diferenciados: um messias, filho de Davi e outro messias, Efraim, filho de José.

O retorno do filho de Davi implicaria em uma vitória militar e se incorpora perfeitamente às projeções do Messias esperado pelos judeus: um líder triunfal que irá instituir a Idade Messiânica após "um dia de batalha", liberando o povo judeu do domínio romano.

Já o retorno do filho de José, implicaria em um novo tipo de messianismo judaico: o que envolve sofrimento e morte.

Para o prof. Israel Kohl, está comprovado que a visão de messianismo com sofriemento e morte já estava enraizada nos judeus à época do nascimento de Jesus e, portanto, não seria uma coisa nova.

Esta semana, num documentário da National Geografich, o prof. Israel afirma que este messias militar, referido na tábua de pedra, seria um judeu de nome Simão de Peréia, citado por Flávio Josefo em seu livro "Antiguidades Judaicas". Neste livro, Josefo afirma que um "messias" chamado Simão, no século IV A.C., líder de uma revolta contra os romanos e que intitulou-se "rei dos judeus", teria invadido e queimado o palácio de Herodes após a sua morte. Logo em seguida, teria sido assassinado pelos romanos e todos os seus seguidores, que foram capturados, teriam sido cruxificados como exemplo.

Para comprovar sua teoria, o prof. Israel Kohl visitou as ruínas do palácio de Herodes e encontrou pedras chamuscadas e queimadas pelo fogo. Também enviou a tabuleta para especialistas que comprovaram, através de vários testes, que a pedra pertencia à mesma região da ação de Simão.

A única coisa não comprovada até agora é a palavra "viva" em sua totalidade, pois o tempo apagou duas letras.

De qualquer forma, vemos que a concepção de messianismo com sofrimento e morte estava bem enraizada entre alguns judeus daquela época. Uma hipótese levantada é que Jesus tinha o conhecimento desse texto, bem como sobre a morte de Simão e, nas escrituras do Novo Testamento, os textos mostram que ele faz questão de diferenciar-se de um messias militar.

Com base nessas novas descobertas e juntando com o que já se tem, será que Jesus não provocou sua própria morte para ser aclamado como esse messias, filho de José? Nesses trinta e poucos anos que separaram Simão de Jesus, o ânimo entre judeus e romanos estava por um fio e, numa demonstração desrespeitosa e agressiva, Jesus entra no templo e derruba mesas, espalha o dinheiro dos vendedores, quebra cerâmicas, liberta animais que eram para sacrifícios, causando a maior confusão. Obviamente ele sabia que seus atos o levariam à prisão e, consequentemente, à morte.

Fica aqui a este questionamento, para ser refletido.